[MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

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EduardoNG
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[MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por EduardoNG » 05 Mar 2015, 15:42

PS: Esse será um guia longo, quase um livro. Fiz porque gosto de escrever e porque sei alguns detalhes do tema que muitos não conhecem, então eu gostaria de compartilhar. É mais recomendado pra quem já sabe interpretar um mafioso, já é bom nisso, mas quer se aprofundar ainda mais. É claro que também é um ótimo guia para todos que tem interesse nesse tipo de roleplay ou simplesmente nutrem curiosidade pelo assunto e/ou gostam de ler.
Introdução

Ainda que muitas facções desse gênero tenham sido vistas no contexto do roleplay brasileiro, muito não se sabe ou se tem dúvida sobre o funcionamento exato da máfia americana, também chamada de máfia ítalo-americana, ou a cosa nostra.

Esse texto tem um objetivo diferenciado. Não se trata de um tutorial de como portar-se na máfia, uma descrição batida da hierarquia nem tampouco um manual para se entender a estrutura da máfia.

Diferentemente dos outros guias, esse daqui visará aprofundar-se nas características da personalidade mafiosa, no cotidiano, nos hábitos e na carga cultural que aqueles homens costumavam carregar. Esse texto explicará a verdadeira rotina de um mafioso, desde antes dele ser de fato, um mafioso, até quando ele se torna um chefe.

Vale lembrar que esse texto se baseia na situação da máfia nos anos 70~80, em New York, e que os fatos aqui mencionados não são obrigatoriedades sim a forma como acontecia na maioria das vezes.

O "Outsider"

De início buscarei mergulhar no conceito do “outsider”. Na vida real, quem representaria o que chamamos de outsider aqui no SA:MP? Alguns pensam que é um pré-mafioso, um microempresário que se senta no bar da máfia e espera um mafioso o chamar para investirem juntos em alguma coisa. Não é assim. Um outsider é um criminoso, é um ítalo-americano que entende a cultura da máfia, que cresceu em vizinhanças cheias de mafiosos, que conhece a linguagem das ruas e GERALMENTE sabe quando abaixar a cabeça. Um outsider é um bandidinho que arromba cofres, rouba carga e bate carteira, é na maioria das vezes um rapaz jovem que quer ganhar dinheiro e faz tudo o que pode para conseguir.

Por estar incrustado nessa cultura ítalo-americana, o nosso “outsider” acaba tendo alguns amigos, conhecendo pelo menos de vista, mafiosos verdadeiros. Durante a sua rotina é comum frequentar estabelecimentos de mafiosos ou conhecer conectados de mafiosos, é assim que se inclinam os ítalo-americanos para a máfia. A partir do momento que um pobre ítalo-americano (Sim, pobre, ninguém se envolve na máfia se é rico e bem-sucedido, até porque ninguém se torna um ladrãozinho quando se tem dinheiro) começa a cometer crimes e frequentar os estabelecimentos da máfia, sua relação com a organização se estreita. Um homem que é conectado direto de um soldado da máfia pode pedir para o nosso "outsider" intermediar algum produto roubado, dirigir um carro, segurar alguma coisa para ele por um tempo ou chamar para efetuar alguns pequenos serviços. É assim que a relação começa.

Conectado

Todo mafioso começa nas ruas. Embora a máfia coordene grandes esquemas de extorsão, jogatina, agiotagem, prostituição e etc… até mesmo os grandes chefes iniciaram por baixo (exceções apenas para parentes de grandes mafiosos). Não existe o glamour (embora até os “outsiders” da vida real acreditem que exista), mafiosos começaram como bandidos e para sempre serão bandidos. Existe a sagacidade das ruas, existe a malandragem, existe toda aquela sabedoria de saber com quem se meter e com quem não se meter, onde podem roubar, qual policial que é o corrupto. Vale lembrar que ninguém já começa sagaz.

Quando esse bandido se mostra um bom ganhador e conquista a confiança dos mafiosos da região, um soldado pode torná-lo uma espécie de sócio conectado, “connected guy”, como chamam os mafiosos. Um conectado já se sobressai perante o tipo de homem que vimos no tópico anterior, já tem um destaque e um respeito que antes não detinha. Um conectado já é uma espécie de posto formalizado.

Para um soldado tornar um bom ganhador seu conectado, ele deve reivindicá-lo ao capitão e o capitão dirá ao seu chefe que há um rapaz novo por aí que agora é protegido do dito soldado. Estando feita a reivindicação inicia-se o complexo sistema de representantes. O soldado passa a ser responsável pelo seu conectado e vice-versa. Em suma, o soldado representará aquele conectado para os cargos mais altos enquanto o conectado representa o seu soldado nas ruas. Se um conectado comete um erro, o soldado é quem deve pagar por ele ou remediá-lo.

Um soldado é um intocável da máfia, um wiseguy, um made guy, um made man ou um homem-feito. Quando um rapaz é conectado a um homem como esse, ele automaticamente se torna uma espécie de “semi-intocável”. Nenhum soldado pode mexer com um conectado sem autorização de seu “dono”. Todo bandido de rua acaba respeitando o conectado pela sua relação com o soldado.

A partir do momento que um cara se torna um conectado, todas as regras da máfia estão valendo para ele. Deve pagar uma taxa ao seu soldado de acordo com o combinado, um parte dos seus próprios ganhos. Deve-se respeitar os outros soldados e principalmente os capitães, ficar calado e começar a portar-se como um verdadeiro mafioso. Quando as vagas se abrem na máfia, são os bons conectados que entram, ninguém entra sem ter conexão, sem já ter um wiseguy que responda por ele, sem ser conhecido do capitão local e ter suas origens pesquisadas e estudadas, sem ter a confiança do pessoal.

Os conectados muitas vezes coordenam esquemas com aquele tipo de homem que chamamos de “outsider”, pondo-os a seu serviço para faturar uma grana para o soldado. E se um “outsider” se sobressai, como já vimos, é reivindicado pelo soldado.

Soldado

“Se um conectado é quase um intocável, paga taxa, respeita as regras e compõe a hierarquia, qual é a diferença dele para um soldado?”
Iniciamos o tópico de soldados com essa questão. A diferença entre o conectado e o soldado é que o soldado já é um membro legítimo da máfia. Um soldado foi apresentado aos chefes e introduzido dentro da verdadeira estrutura da família criminosa; ele se torna o que chamam de homem-feito ou wiseguy. O wiseguy é conhecido no submundo do crime, é respeitado. Não se enganem pelo nome “soldado” passar essa impressão de “base do exército”, é totalmente diferente.

Retomando a resposta da questão inicial: a grande diferença é que um conectado já deve obedecer as regras da máfia mas as regras não se aplicam a ele. Um soldado não é obrigado a partilhar ganhos com um conectado, um conectado não é um intocável. Pode ser espancado, morto, torturado pelo seu soldado se lhe der vontade. Um conectado fatura bem graças ao seu soldado, mas o soldado pode muito bem parar de dividir o dinheiro com ele se estiver numa fase ruim e deixá-lo de fora se bem entender.

Com um wiseguy a situação é diferente. O soldado é um membro, ele está dentro da máfia. Um capitão não pode nem bater num soldado, é sério, isso é claramente proibido e poucos ousam desrespeitar. O capitão não pode privar o soldado dos ganhos e pegar tudo para ele, porque o soldado já faz parte da família e deve ser tratado como tal. Se der na telha, um capitão não pode simplesmente matar o seu soldado, ele precisaria da autorização do chefão para isso. E mesmo com autorização, a execução deve ser feita com dignidade, rápida e sem sofrimento, isso porque até na morte um wiseguy permanece sendo um wiseguy.

Resumindo toda a coisa da diferença entre o conectado e o soldado, entendam apenas o seguinte: é no posto de soldado que o homem começa a verdadeiramente desfrutar das vantagens de estar na máfia, da verdadeira proteção e dos verdadeiros ganhos.

Bom, o nosso outsider tornou-se um conectado e foi feito um soldado. Não teve nada disso de cortar a mão e queimar a santa já que isso é uma cerimônia ultrapassada. Não houve nada além de uma conversa com o subchefe, mesmo assim ele está feliz já que faz parte da máfia. E agora? Putas, conversíveis, ternos de luxo e relógios de ouro? Não, nosso outsider foi enganado.

A vida de um soldado é mais pacata e difícil do que se espera. Ao mesmo tempo que ele lucra mais, deve pagar mais. Ele faz parte agora de um regimento de soldados sob o comando de um capo regime, um capitão, um soldado que soube faturar muito dinheiro e acabou sendo posto para coordenar outros soldados a fazer igual. Entretanto, um soldado ainda é um bandido que tenta faturar através de conectados e negociações com outros soldados, dinheiro o suficiente para subir na vida e pagar o seu capitão. Todo esquema e todo lucro deve ser dividido com o capitão, tudo deve ter a autorização de um capitão. Sendo o soldado um cara de dentro, agora deve haver um cuidado extra para não tropeçar nos negócios de outros mafiosos e gerar conflitos, devido a isso, presta-se conta de tudo.

Mesmo numa vida pacata, um soldado ainda é um homem respeitado. Como vimos anteriormente em algumas menções, o soldado é um intocável e isso é verdade. Por ser um wiseguy, um soldado é um homem de destaque no submundo criminoso. Todo bandido sabe que um soldado é parte da máfia e sabe que não se pode mexer com ele ou estará mexendo com a estrutura da máfia. A máfia se protege, então ninguém ousa desrespeitar um wiseguy. Um soldado pode fazer o que ele bem entender, todo tipo de crime está acordo com as leis da máfia, é um cargo de poder.

Capitão

O capitão é outro posto de importância e respeito. Assim como o soldado, o capitão é um wiseguy, um homem-feito, um intocável, só que isso tudo ainda é intensificado pelo posto que ocupa. Por ser um wiseguy que tem autoridade sobre diversos outros, sua influência no mundo criminoso e no cenário interno da família é muito grande, até porque acima dele na hierarquia está apenas os chefes e ninguém mais:

“Ninguém deve deixar um mafioso numa situação difícil. Se embaraçar um capitão ou um chefe, a pessoa vira história” – Benjamin “Lefty Guns” Ruggiero, ex-soldado da família Bonanno.

O capitão é visto como o topo da hierarquia. Sendo o subchefe e o chefe cargos imutáveis e improváveis, é raro presenciar a morte de um chefe e portanto, raro ver um capitão assumindo o posto, embora muitos sonhem com isso a vida inteira.

Uma família pode ter um capitão ou pode ter dez, isso varia de acordo com o seu tamanho e a complexidade da sua estrutura. Um capitão comanda uma equipe (crew) de soldados, como já mencionei. Uma equipe, embora deva reportar-se aos chefes da família e seguir os moldes e normas da cosa nostra, é totalmente independente das outras. Cada capitão tem suas regras próprias para cobrança e partilha de lucros. Cada capitão tem sua maneira de lidar com o cenário criminoso. Uns optam por estratégias mas discretas, outros por jogadas mais ousadas, uns são mais agressivos, outros adotam uma política passiva de boa vizinhança, tudo isso sempre visando alcançar o lucro. Sendo os soldados parte da equipe, devem funcionar de acordo com a vontade do capitão.

Guerras internas eram constantemente vistas na máfia. Como todos querem lucrar, equipes rivais se voltam uma contra a outra. Muitas vezes uma equipe não apoia a nomeação de um chefe e se volta contra ele. O posicionamento de uma equipe poderosa tem um peso muito grande dentro de uma situação de conflito. Por isso que o capitão é importante como é, porque é quase um chefe e seu posicionamento influencia em toda a estrutura da família.

O Subchefe e o Consigliere

O subchefe e o consigliere são cargos de confiança do chefe, muitas vezes escolhidos por ele mesmo, mas ambos os cargos são variáveis e funcionaram de maneira diferente ao longo dos anos, dependendo da família.

Geralmente o subchefe é alguém de influência na família, que o chefe escolhe para auxiliar a coordenação dos capitães, manter as coisas nos eixos com o mínimo de conflitos possível. O subchefe é o homem que costuma receber o dinheiro dos capitães, repassa para o chefe e recebe uma parte de acordo com a vontade dele. Também costuma intermediar as ordens como porta-voz do chefe.

Não entrarei profundamente nesses dois cargos porque o enfoque desse guia e esclarecer o que é desconhecido e tirar da cabeça dos jogadores os falsos padrões aos quais estão habituados. Sobre esses cargos é fácil pressupor as funções, só gostaria de deixar claro que o consigliere não é o cara que fica do lado do chefão enquanto ele está na sua mesa, de terno e com um copo de vinho, sussurrando no seu ouvido durante as reuniões. O consigliere é um wiseguy respeitado, um cara das ruas, um bandido como todos os outros, que foi reconhecido pela sua sabedoria e escolhido para ser um conselheiro. Embora o consigliere esteja conectado diretamente ao chefe, ele tem seus negócios, tem suas relações, tem quem pague para ele, investe uma grana nas ruas assim como todos, mas acaba ganhando mais por causa da relação que tem com o chefe. Um capitão pode atuar como consigliere, assim como um soldado ou até mesmo um subchefe. O consigliere é um cargo destacado da hierarquia, não segue os degraus de forma linear.

O Chefe

Finalmente chegamos no chefe. O cara que um dia foi um “outsider”, depois tornou-se um conectado, para ser feito soldado e um dia capitão. Talvez tenha passado por subchefe antes de ser chefe, talvez tenha pulado direto para chefe, pode ter sido consigliere como pode não ter sido.

Geralmente quando o cenário é de guerra, o líder do lado vencedor assume o cargo de chefe (estou generalizando, é claro que conflitos na máfia são mais complexos do que isso), independente de quem seja o subchefe ou o consigliere. Quando o cenário é de paz e um chefe morre, existem possibilidades variadas. Duas são as mais comuns: A primeira delas é o subchefe assumir o cargo. Sendo um dos cargos de mais importância na família, é o que costuma ocorrer. Há outra possibilidade também muito vista, que baseia-se nos capitães entrarem num consenso para decidir qual deles será o chefe (quem tem sensibilidade para perceber, nota que é muito fácil começar uma guerra com isso).

O chefe é um bandido, tal como o “outsider”, é um cara que veio das ruas. Tudo bem que ele ascendeu no cenário criminoso, ele não deve pessoalmente assaltar uma loja, bater carteira, coordenar uma operação de drogas, espancar um cara (muito provavelmente ele espanque, na verdade) ou matar com as próprias mãos (pode ser que mate, viu?). Mas ainda é um bandido. Um dia foi um capitão que desviava cargas das docas, um dia talvez tenha comandado um cassino ilegal num galpão, ou quem sabe lutas clandestinas. Se ele for mais ousado e cruel, pode ter financiado o tráfico de órgãos. Mas agora ele é o chefe, o chefe decide quais operações correm, quais não correm, ele tem que ter inteligência e sagacidade para enxergar o que é bom para a família e o que não é. E se ele chegou ali, provavelmente tem essa sagacidade. O cargo não é hereditário, é meritocrático. Para um homem tornar-se chefe, ele teve que ter muita sorte e muita sagacidade nas ruas, para não morrer, para não pegar uma pena grande na prisão (grande, porque pequena todo mafioso já pegou pelo menos uma vez na vida), para não ser passado para trás por outros caras.

Dependendo da situação da família, o chefe anda sozinho ou chama homens de confiança para acompanhá-lo, dirigir o seu carro ou o que for. Ele pode ir num restaurante com a família ou dar um passeio na praça. Ele pode ir no boliche com o filho ou levar a caçula na patinação do gelo com as amigas. Ele não é o Don Corleone, cercado por vinte homens com metralhadoras. A única segurança da casa dele são as trancas das portas e a polícia local. Não há nada que endeusa um chefe comum, ele as vezes tem o próprio negócio, uma padaria, um açougue, uma agência de táxi, qualquer coisa. Muitas vezes o chefão trabalha nesses lugares, passa parte dos dias num escritório, ou atrás no balcão como um dono de comércio comum. O chefe precisa manter as aparências e isso é até bom, ter negócios legalizados faz bem para um chefe e também ocorre com capitães e soldados.

Existem variáveis, isso é óbvio, é preciso enxergar. Têm chefes mais famosos que outros. Os que estão em julgamento têm repórteres na cola diariamente, então há sempre alguns mafiosos com ele. Os famosos estarão sempre seguidos, independente de julgamentos, então sobre a segurança, o mesmo vale para esses. Se a situação for de crise interna na família, é claro que haverá muita gente por perto para garantir que não haja atentados. Se a paz for total, a família pequena ou o chefe com pouco destaque na mídia, em certos dias ele poderá andar sozinho por aí se sentir-se seguro para isso.

O Cotidiano do Mafioso

Agora que já vimos detalhes sobre todos os cargos, acabou essa bíblia? Não, não acabou. Agora vamos entender um pouco do cotidiano do mafioso. Vimos as funções de cada cargo nas atividades da máfia, mas a vida de um mafioso não se baseia em seu posto no submundo criminoso como a vida de um padeiro não se baseia em pão.
Como dito anteriormente, não havia o glamour dos carros caros e das grandes quantias de dinheiro. Resumirei a rotina de um soldado com um trecho do livro: “Minha vida clandestina na Máfia – Donnie Brasco”, de Joseph Pistone e Richard Woodley:

“Chegava-se no clube às dez e meia ou onze da manhã, depois ficava-se por ali o dia inteiro, discutindo trapaças, roubos e afanações, passados e futuros. Alguém teria uma ideia sobre um arrombamento ou sequestro de mercadoria, e eles ficavam discutindo para ver se valia a pena. Ou uma outra pessoa tinha feito o roubo e estava tentando livrar-se. E eles discutiam a possibilidade de intermediar”

A rotina de um mafioso era entediante e muitas vezes repetitiva. Havia os dias reservados para a família, geralmente os domingos. Tinha as noites das esposas, muitas vezes no sábado. Mafiosos prezavam muito pela família. Quem não conseguia controlar a própria família, não conseguiria controlar os negócios e então perderia credibilidade. Mafiosos não acreditavam em divórcio.

Em contrapartida ao valor dado à família, haviam as “goomah”. Goomah era o termo usado para as namoradas dos mafiosos. Todo mafioso tinha uma namorada fixa ao mesmo tempo que as esposas, alguns levavam-nas tão a sério que preservavam com elas uma vida paralela. Os mafiosos cuidavam dessas namoradas quase como suas esposas e geralmente sexta a noite era o dia de levar as namoradas para sair. Essa cultura de ter mulheres como propriedades e dividir-se entre amantes e família era tão intensa na máfia que os que não tinham uma goomah eram muitas vezes vítimas de zombaria por parte dos outros. E as esposas na maioria das vezes sabiam da existência das goomah, sabiam o que o marido fazia da vida, tudo era parte do trato, era algo cultural entre aquelas mulheres (muitas vezes ítalo-americanas, criadas perto dos mafiosos).

A primeira coisa a se entender sobre a personalidade de um mafioso é também perceptível na forma que eles tratam as esposas e goomah. Mafiosos em geral vivem como se estivessem num outro século. Seus princípios, preceitos, são absurdamente ultrapassados, tal como a forma que veem o mundo. Eles estão cobertos por um "manto cultural" ítalo-americano, onde convivem, saem, se divertem e formam laços de amizade apenas com outros ítalo-americanos sob as mesmas influências. Esse ciclo fechado, ainda mais restrito devido a presença da máfia e seus códigos, fez com que preservassem pensamentos antigos. O homossexualismo é algo visto como o pior dos pecados para eles, qualquer tipo de perversão sexual também; são quase que medievalescos, lidando com a modernidade sempre de maneira recatada. Mafiosos prezam muito pela família, pela rigidez na criação dos filhos, pela religião e respeito. Também há o racismo, embora muito enfraquecido na década de noventa. Mafiosos ítalo-americanos não têm nenhum apreço pela forma como os negros, hispânicos ou até mesmo os americanos caucasianos comuns vivem

Os mafiosos passavam horas com outros mafiosos, era comum. Voltavam em casa para almoçar ou jantar com a família mas logo mais estavam nas ruas novamente, baixando em bares da máfia, fazendo contatos, planejando esquemas e decidindo de quem roubariam (como vimos no parágrafo extraído do livro). A vida pessoal do mafioso estava muito entrelaçada com a sua vida “profissional”, já que a máfia era para eles uma segunda família (ou talvez a primeira). Era muito comum que um soldado conhecesse a esposa de um capitão e fosse íntimo dela, era comum um soldado jantar na casa de um capitão ou de outro soldado, ou um capitão jantar na casa de um soldado, ou um soldado na casa e um conectado e vice-versa. Devido a relação de proximidade, as famílias dos mafiosos acabavam por conhecer e relacionar-se. A esposa de um soldado ser a melhor amiga da esposa do capitão desse soldado era a coisa mais comum do mundo. Muitos soldados casavam-se com as filhas de outros soldados (não sem autorização do soldado em questão, é óbvio). No natal, os mafiosos ceiam com os próprios parceiros da máfia antes de voltar para a casa para cear com a família. Não há uma separação entre a máfia e a vida pessoal de um homem, é tudo misturado.

Algo importante a ser considerado é a política de apresentações. As apresentações e as reuniões são o que compõe a estrutura da máfia. Um wiseguy não pode abordar outro wiseguy e se apresentar. Mesmo que ele saiba que o homem é um wiseguy e saiba o seu nome, sempre deve haver um intermediário. Se ele tentar sem intermediação, será ignorado e perderá credibilidade. O intermediário deve reunir os dois e apresentá-los: “Este é fulano, um amigo nosso”. O “nosso” representa que o homem é wiseguy, é homem-feito, é um soldado ou acima disso. Quando se é um conectado ou “outsider”, diz-se: “Um amigo meu”. Isso tudo soa como uma forma de dizer indiretamente se o homem é ou não da família, para que o wiseguy saiba se pode ou não falar sobre os assuntos da família com ele, e realmente é, mas não apenas isso. Há algo mais profundo nessas apresentações. Entendendo que um wiseguy não pode se apresentar para outro porque deve haver um intermediário... cada apresentador se responsabiliza por ambos os apresentados. Por exemplo: Se o mafioso X apresenta o Y para o Z, ele é responsável pelo Y e pelo Z, isso significa que se o Z ou o Y for preso, trair a máfia e entregar o outro para a polícia, dependendo da importância e do envolvimento do mafioso X, ele se responsabiliza e paga por isso (com a vida), porque foi o mediador da apresentação. Isso induz o mafioso a pensar mil vezes antes de intermediar uma apresentação. É claro que as apresentações são muitas e que não há como controlá-las todas elas, mas é uma forma de impor medo e mantê-los cautelosos.

As reuniões e os encontros são tão importantes quanto as apresentações. Mafiosos estão sempre marcando conversas para discutir negócios, conflitos e territorialidade; a estrutura da máfia não funcionaria sem essas reuniões. Muitas vezes mafiosos de diferentes equipes/famílias se encontram para discutir um problema e resolvê-lo antes que se transforme em algum gesto agressivo, e na maioria das vezes apenas essas conversas são o suficiente para acertar tudo. Tais encontros costumam dar-se em praças, calçadas, locais públicos e abertos, no geral. Mafiosos caminham ao redor de quarteirões, sentam em bancos públicos e ficam papeando por ali. Um desinformado que olhasse não daria importância para dois homens num banco de uma praça ou dando um passeio num shopping, mas geralmente são nesses ambientes que as conversas mais sujas daqueles bandidos acontecem. Evidentemente ocorria também reuniões mas profundas, sobre assuntos bem mais grandiosos, envolvendo pessoas de maior importância, essas em locais fechados.

Mafiosos são extremamente paranoicos. Sabem os riscos da vida que levam como sabem que o FBI está sempre no encalço deles, seja monitorando sua rotina ou interrompendo-a para revistas repetitivas. Dentro dos carros, dos bares que frequentavam ou de ambientes fechados sempre há o risco de haver escutas eletrônicas. Por isso que, como citado no parágrafo anterior, as reuniões se dão a céu aberto enquanto for possível. Devido a essa preocupação exacerbada, mafiosos habituaram-se a enrolar durante todo tipo de conversa. Falam em códigos e fazem rodeios antes de ir ao ponto. Não falam claramente se o local e as pessoas do diálogo não forem absolutamente confiáveis. Essa cautela toda é muito mais intensa, é claro, durante as conversas por telefone, onde o risco de grampo é cem vezes maior.

Outra coisa que se deve saber sobre os mafiosos é que eles estão pensando em dinheiro o tempo todo e sempre dão um jeito de gastar menos. Você pode pensar que mafiosos são homens ricos, mas mesmo que um mafioso seja rico, ele vai dar um jeito de não gastar ou não mostrar que é rico. Mafioso sonega imposto, mafioso usa roupa roubada, perfume roubado, relógio roubado. Mafioso pede dinheiro emprestado para os conectados e nunca devolve, mafioso faz o que nós chamamos de “gatonet” para pagar menos, burlam os medidores dos gastos de luz e água, e jamais pagam por bebidas nos bares.

Como dito no parágrafo anterior, mafiosos estão sempre pensando em dinheiro. Eles veem ganho em qualquer coisa. Numa semana um mafioso pode desviar um contêiner, faturar cento e cinquenta mil e ficar três semanas sem fazer nenhum ganho. Quando precisar de dinheiro, pode ver um parquímetro numa rua pouco movimentada e roubá-lo, fazendo um ganho de trezentas pratas. Mafiosos faturam onde dá para faturar, independentemente de se o lucro for alto ou baixo. Eles também tem a sagacidade para entender que se um esquema fatura trezentos dólares, se ele multiplicar os participantes e repetir mil vezes, conseguirá trinta mil.

Mafiosos mentem, mentem o tempo inteiro. O soldado mente para o conectado e mente para o capitão, que mente para o chefe. Quando um soldado faz um ganho de trinta mil, ele diz para o seu capitão que ganhou vinte mil, assim, ao invés de separar quinze mil para ele, separa apenas dez. O capitão conta a mesma mentira para o chefe para poder desembolsar menos e assim, perder menos dinheiro. Todos sabem que o jogo é de mentirosos e ganha os que mentem melhor e com mais cuidado. O capitão sabe que o seu soldado deve estar mentindo, então confia naquele que mente menos ou o que não mente. Entretanto, mentira não é algo visto como aceitável. Mesmo sendo habitual para os mafiosos mentir o tempo todo para ganhar mais dinheiro, se um superior descobre uma mentira e descobre que está perdendo uma grana, pode tirar um bom dinheiro do seu subordinado, isso se ele for piedoso, geralmente se paga com a vida. Não existe piedade para mentirosos dentro da máfia, mesmo que esse hábito seja corriqueiro. Deve-se tomar muito cuidado ao mentir, e tentar ser o mais confiável possível para evoluir dentro da organização.

Se há uma palavra que defina bem quase qualquer mafioso, essa palavra é: "Fofoqueiro". Mafiosos são os seres mais fofoqueiros existentes, principalmente os soldados. Os mafiosos estão sempre conversando sobre quem quer matar quem, ou quem está brigado com quem. Fofocam sobre o fato de um cara estar ganhando dinheiro, sobre o fato de outro estar perdendo dinheiro, fofocam se um cara parece ser homossexual, fofocam se o chefe está pouco envolvido nos negócios e fofocam quando o chefe está envolvido demais. Os mafiosos estão sempre fazendo mini-conspirações, falando mal de alguém ou formando uma panelinha contra um terceiro, ou a favor de um quarto. Quem tenta esconder sua vida pessoal dos seus colegas da máfia torna-se vítima de fofocas também: "Fulano é retraído demais, ahn? O que será que ele tem a esconder?" Esse é um parágrafo cômico, mas é tão verdadeiro quanto estranho. Lembrando que as fofocas e pequenas conspirações são coisas comuns, mas poucas se concretizam. Mafiosos estão sempre falando mal de alguém, mas falam mais do que fazem. A máfia não é um campo de guerra nem uma creche, mafiosos são adultos sensatos que acima de tudo pensam no dinheiro e só tomam medidas quando realmente há bons motivos nisso.

Muitos pensam que a máfia é uma ordem formal de homens de terno, gestos firmes; empresários do crime. Sim, podem ser empresários do crime mas nunca serão homens formais e elegantes que se portam como grandes investidores da bolsa de valores. Como eu já disse antes e repetirei, são bandidos. Entre os mafiosos há a linguagem das ruas, tal como com têm as gangues de hispânicos, negros e etc... Todos começam como bandidos de rua. Um “outsider” sabe que não pode se meter com um negro do gueto, sabe que é só um bandido qualquer, tal como ele.

Algo que é visto de forma muito errada nos servidores de roleplay é que a máfia é uma organização anônima, uma seita secreta. Se um policial para um carro com três mafiosos, já se fala em “metagame”, se um policial fica de olho num bar dos mafiosos, se repete sobre o “metagame”. Eu ouço muito o argumento de quê: “Nossa, eles veem o nick italiano e já saem correndo, metagame”. Mas não é bem assim. O cidadão americano sabe o que a máfia. Viu a operação Donnie Brasco estourar, viu John Gotti, sabe como se portam, sabe que eles estão por aí. Os negócios são secretos mas a máfia é de conhecimento público e sempre esteve em muito destaque na mídia americana (aqui no Brasil vemos pouco sobre ela). Um americano muitas vezes sabe reconhecer um mafioso quando vê um. O ítalo-americano da máfia tem a carga cultural que eu já mencionei. Seus gestos próprios, suas expressões próprias, o seu próprio jeito de andar e se vestir. Eles andam juntos, sentam-se juntos nos bares. Não é difícil para um americano habituado com a máfia no país deles, perceber que uma pessoa é no mínimo, suspeita de ser parte disso.

Outra coisa que os players precisam começar a entender é a atuação da máfia para com a população civil. Muitos tem um pensamento distorcido sobre isso: "Preciso me esconder da máfia, a máfia quer falir meu negócio, a máfia quer me matar, a máfia é má". Não! Não é assim. A máfia quer dinheiro, não inimigos. Um exemplo disso é a extorsão; alguns donos de comércio sentem-se incomodados com a constante presença da máfia, mas geralmente tiram vantagem dela. Se a máfia cobra uma taxa dum comércio, ela não quer que ele vá a falência, quer na verdade que ele progrida e que os lucros subam às alturas, então a máfia fará tudo o que for possível para o comércio ir bem, inclusive protegê-lo de qualquer tipo de ameaça externa. Grande parte da população tem medo da máfia, mas centenas de pessoas são mensalmente ajudadas por ela. Empresários, comerciantes, taxistas, qual quer que seja a profissão, já pode ter contado com o apoio da máfia, seja em empréstimos, investimento ou parceria. Vários cidadãos estão habituados com a máfia e buscam a ajuda dela por livre e espontânea vontade. A Máfia funciona como um banco, como um sócio ou um amigo... enquanto houver retribuição.

A mídia e a polícia SABEM que a cosa nostra existe e sabem quando ela está operando numa cidade. Um aglomerado de ítalo-americanos que sentam juntos num bar, saem e chegam toda hora, estão sempre por ali, todos os dias... é o suficiente para terem certeza de que há a presença da máfia. A essência do funcionamento da máfia é deixar seus negócios ocultos. A máfia funciona apenas porque a polícia não pode provar que aqueles bons companheiros que sentam-se juntos num bar durante a tarde, bebendo uísque e jogando gin rummy, são na verdade assassinos noturnos que vendem pó, operam prostíbulos e desviam cargas. Mas a polícia SABE que eles são.

Quero deixar claro para todos os players de roleplay, de agora para a eternidade, como as coisas realmente são. Não estou convidando os civis a fugiram da máfia desesperadamente porque isso não acontece e não estou convidando os policiais para aparecerem no nosso bar todos os dias falando: “Hmmm, sei que são máfia heeeein...” O que estou dizendo é que todos sabem que há uma família criminosa, quando há uma família criminosa. Simples.
E assim encerro essa bíblia grotesca. Deixarei abaixo algumas observações soltas sobre a personalidade dos mafiosos e seu comportamento para com as relações.

Obs's

“Mafiosos muitas vezes têm funcionários comprados (corruptos) de onde roubarão alguma coisa”

“Se um wiseguy vai até um forasteiro resolver uma questão ou um conflito e o forasteiro menciona um segundo wiseguy, o primeiro wiseguy é obrigado a procurar o segundo, impedido de resolver diretamente com o forasteiro.”

“Mafiosos não gostam de coisas no seu nome. Na maioria das vezes usam o nome de outra pessoa pra registrar bens”

“Mafiosos sonegam impostos”

“Um homem-feito está sempre certo, mesmo que esteja errado”

"Todo mafioso não deixa de ser um bandido. Todo mafioso tem passagem pela polícia, salvo raríssimos casos. Todo mafioso já pegou alguma pena, seja por um pequeno roubo ou envolvimento num grande esquema. É absolutamente comum"

"A vida pessoal está entrelaçada na máfia. Durante uma festa de natal, um homem vestiu-se de papai-noel e brincou com uma criança. Décadas depois, esse homem era o capitão e essa criança o soldado dele (10 mandamentos da máfia, documentário)"

"Se um mafioso é morto, geralmente o superior dele cuida da sua esposa e família (financeiramente e as vezes sexualmente, sério). É dever do superior cuidar da esposa do morto mesmo quando foi ele mesmo que matou. Uns cuidam bem, outros cuidam mal, uns fingem cuidar mas nem cuidam. Mas existe esse dever, é parte do jogo"

“Nenhum homem-feito fica do lado de um forasteiro contra outro homem-feito”

“Um forasteiro sempre deve ficar do lado do cara feito contra outros forasteiros”

“Um forasteiro nunca deve ficar contra um cara feito”

“Um forasteiro nunca levanta a mão para um homem-feito, nem vai contra um homem-feito numa discussão. Um forasteiro não faz perguntas, não responde a um homem-feito”

“Mafiosos nunca falam diretamente, sempre fazem rodeios, enrolam, explicam seus negócios indiretamente. Principalmente no telefone e em locais públicos onde é possível que haja escuta”

“Mafiosos sempre respeitam os superiores, é a coisa mais importante”

“Ninguém deve deixar um mafioso numa situação difícil. Se embaraçar um capitão ou um chefe, a pessoa vira história”

“Mafiosos usam paletó esporte e calças largas”

“Mafiosos não usam bigode, só a vanguarda”

"Mafiosos andam desarmados pois sabem estar sendo constantemente vigiados" (claro que há exceções)

“Um conectado de um cara pode fazer negócio com outros, é comum rolar essa troca, mas deve dividir ganhos com o seu próprio”

"Um capitão pode ser rebaixado para soldado em certos casos, mas soldados jamais podem ser rebaixados para conectado, já que conectado não é um cargo oficial"

"Um homem de fora pode ser conectado direto de um capitão, embora isso seja mais incomum. O mesmo vale para subchefe e chefe; mais incomum ainda"


“The whole thing is how strong you are and how much power you got and how fucking mean you are—that's what makes you rise in the mob. Every day's a fucking struggle, because you don't know who's looking to knock you off, especially when you become a captain or boss. Every day, somebody's looking to dispose of you and take your position. You always got to be on your toes. Every fucking day is a scam day to keep your power and position." – Dominick “Sonny Black” Napolitano – ex-capitão da família Bonanno.


Créditos: EduardoNG
Editado pela última vez por EduardoNG em 30 Jun 2016, 09:54, em um total de 3 vezes.

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Vicente
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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por Vicente » 05 Mar 2015, 15:49

pica
why is she telling me the story of her life?

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'Felipe
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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por 'Felipe » 05 Mar 2015, 15:53

Porra, muito foda.
no mercy, no glory

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Luan
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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por Luan » 05 Mar 2015, 15:58

Já tinha lido linha por linha disso ai, excelente.

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Tesse
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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por Tesse » 05 Mar 2015, 16:45

DuduNG despirocando a máfia americana. Uma delícia de guia.
"Only a handful of great NBA players have been successful shooting fadeaways. Michael Jordan was one of the most popular shooters of the fadeaway. Wilt Chamberlain, Kobe Bryant, Hakeem Olajuwon, Dwyane Wade, Karl Malone and Larry Bird are also well known for using this move. The even more difficult one-legged fadeaway has become Dirk Nowitzki's signature move and has been called by LeBron James the second most unstoppable move ever, only behind Kareem Abdul-Jabbar's skyhook."

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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por Tuffyzinho » 06 Mar 2015, 18:13

Porra ficou do caralho!!

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Magnata.
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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por Magnata. » 06 Mar 2015, 18:29

Meeeeeu deus, mais que explicado.. Muito bom (like)
Só sei que nada sei. (Sócrates)

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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por Wilkeee » 06 Mar 2015, 19:05

Boa mano, ótimo tutorial. (like)
desativado

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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por Sneaky G from East Los » 07 Mar 2015, 00:41

Li tudo, ficou fera. Dudu mandou bem. ;) (like)

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yawK.
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Re: [MEGA GUIA] Desmistificando a máfia americana

Mensagem por yawK. » 07 Mar 2015, 01:15

muito great!
Eurasian Organized Crime
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